A natureza fascista de um Ministério da Educação

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Tivemos recentemente consultas públicas para a reformulação do currículo da Base Nacional Comum feita pelo MEC e, independente do que for mudado, o espírito da coisa vai continuar o mesmo: controle estatal, inflexão curricular e impossibilidade de qualquer experiência divergente do gosto governamental.

Em primeiro lugar, não importa que consulta tenha sido feita, não importa quantas pessoas tenham sido ouvidas, é inaceitável que se chegue a qualquer currículo ideal, haja vista que os estudantes são indivíduos e, como tais, possuem necessidades que são únicas, o que enseja a necessária abertura para inúmeras experiências em educação, orientadas sob a lei da demanda, para que os pais possam ter a oportunidade de escolher a escola que mais se harmonize com seus valores e com as necessidades e interesses de seus filhos. Nesse sentido, um currículo unificado é um atentado contra a individualidade por sua natureza coletivista.

O que defendia o fascismo senão a ideia de que nada poderia existir fora do Estado nem acima dele? E não é o que vivemos em termos de educação? Quem pode empreender em educação, oferecendo uma experiência que seja avaliada pelos pais, não por fiscais do MEC? Que Ministério é esse que se coloca acima do indivíduo, acreditando que tem uma proposta melhor para a educação do que os pais, que são os verdadeiros interessados e os mais capacitados por natureza para discernir onde colocar seus filhos para estudar?

O fascismo é considerado um sistema totalitário e coletivista, que não aceitava o valor da individualidade, agindo de forma opressiva e ostensiva contra os que discordassem de sua proposta política de governar. E o que vivemos com a educação controlada pelo Estado? Algum pai tem o direito de educar seu filho em casa? Alguém tem o direito de criar uma escola com um sistema pedagógico com base nos valores e demandas das pessoas do seu bairro ou cidade, algo totalmente diferente do que temos no currículo atual? Que mais um pai pode exigir para a educação de seus filhos além de colocá-los, se tiver condições econômicas, em escolas ranqueadas com notas altas, sem jamais experimentar algo diferente do que se exige pelo currículo do MEC?

Já disse em outros lugares que a educação sob o controle estatal não pode dar certo por várias razões, entre as quais pelo fato de que os burocratas do governo não têm o cálculo pedagógico que possa dar conta das necessidades, interesses e valores de cada um dos milhões de estudantes brasileiros. Mas, aproveitando-se de uma mentalidade coletivista, que é o gosto da maioria, O Estado consegue se impor, ofertando uma educação compulsória unificada fora da qual ninguém pode atuar, sob a pena de ser perseguido por seus fiscais. Assim, pais não podem fazer nada diferente a não ser buscar a melhor escola que, na verdade, é aquela que consegue ser a mais eficiente para cumprir as determinações do MEC, e não a que ofereça o melhor para as necessidades de seu filho. A dona Maria e qualquer empreendedor em educação não podem oferecer um serviço que supra a demanda de seu entorno e, com isso, perdemos a oportunidade de termos inúmeras experiências que poderiam ser adequadas à educação de nossos filhos.

O Estado se vale do fato de que a maioria das pessoas não está muito preocupada em assumir a responsabilidade por suas vidas e delega para que outros assim o façam, o que as fazem, por isso, aceitar um sistema educacional ditatorial que disfarça seu autoritarismo por meio de propagandas, discursos retóricos utópicos e que conta com argumentos inclusive de pesquisadores em educação, que também acreditam na possibilidade de se criar um sistema ideal de educação que possa servir a todos, pois são coletivistas como o são a esmagadora maioria dos que atuam em educação.

Enquanto as pessoas não assumirem o governo de suas vidas, enquanto não amarem de verdade a liberdade, enquanto não acreditarem que ninguém mais do que elas é mais interessado e capacitado a administrar a educação de seus filhos, as coisas continuarão como estão.

Noé Amós Guieiro é fundador do Instituto Liberdade Individual. É autor dos livros “Educação sem Estado” e “Guia Politicamente Incorreto sobre o que se Aprende na Escola”. Também é apresentador do canal do Youtube que leva o seu nome.

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

Comentários