Por uma alimentação pública, gratuita e de qualidade!

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Como todos sabem, alimentar-se é um direito do cidadão. De modo a garantir o acesso de todos a alimentos gratuitos e de qualidade, o governo de Cartoril, um vasto e populoso país do hemisfério Sul, determinou a estatização da alimentação. Para regulamentar tudo, criou o Ministério da Alimentação, a Secretaria da Alimentação nos estados e municípios e muitos outros órgãos. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Alimentação (FNDA), a Secretaria de Alimentação Básica, a Secretaria de Alimentação Continuada, Nutrição, Diversidade e Inclusão, o Plano de Alimentação Articulada (PAA), o Núcleo de Informação e Coordenação da Comida e o Centro de Inovação para a Alimentação Cartorilense (CIAC) são alguns exemplos dos vários órgãos envolvidos na enorme responsabilidade de planejar, produzir, prover, regulamentar, controlar e fiscalizar a alimentação dos cartorilenses.

Por incrível que pareça, apesar de Cartoril gastar quase 6% do seu PIB nesta área, todo o planejamento centralizado para uma alimentação pública, gratuita e de qualidade não produziu cidadãos minimamente satisfeitos com seu estado alimentar. As pessoas que têm recursos, incluindo os burocratas do setor de Alimentação Pública, seguem comprando seus alimentos na rede privada, que oferece variedade e qualidade muito superior. Mas os de baixo poder aquisitivo têm grande dificuldade de obter comida de qualidade e que atenda às suas preferências e necessidades. Há muitos subnutridos no país, gente que nem para em pé, sem condições para trabalhar ou estudar. Para piorar, todos aqueles dependentes do sistema público ficam à mercê de distribuidores de comida que não lhes prestam contas pelos maus serviços oferecidos. Corrupção, má gestão e desperdício são a regra.

Diante deste quadro, os burocratas da Alimentação resolveram agir. Sem jamais perder a fé no planejamento centralizado da alimentação, um grupo de especialistas em alimentação pública, estabeleceu o Plano Nacional da Alimentação (PNA), com metas a ser atingidas até 2024. No total, são 20 metas, com 254 estratégias associadas e 14 artigos que dizem o que país deve fazer na área alimentar. Para surpresa de todos, apenas seis metas foram cumpridas no prazo, de acordo com estudo do Observatório do PNA, que reúne organizações da área. Dentre elas, duas de extrema importância para a alimentação: a formação de um fórum permanente para acompanhar o piso salarial dos distribuidores de comida básica e a divulgação de resultados de indicadores nutricionais.

Outra meta alcançada, embora com atraso, foi a que estabeleceu o encaminhamento da Base Nacional Comum Alimentar (BNCA) ao Conselho Nacional de Alimentação (CNA). Esta base comum define o que é essencial para a alimentação de todos em cada uma das etapas da vida. Por isso, estabelecerá a quantidade e o tipo de comida que deverá ser presente em todas as refeições do país. Cada distribuidor ou restaurante terá autonomia para criar suas próprias dietas e combinações alimentares desde que respeitando a BNCA. A ideia é garantir que todos os cidadãos do país sejam classificados por idade e, dentro de cada faixa etária, sejam consumidos os mesmos nutrientes nas mesmas quantidades. Como resultado, espera-se, por exemplo, que todas as crianças da mesma idade tenham o mesmo peso e composição corpórea. Como se trata de um processo bastante dispendioso e não há evidência científica de que funcione em outros lugares, o Estado envolveu vários órgãos na sua gestão. A previsão é de que o documento seja homologado até o final do ano. Agora vai.

Se tudo isto pareceu absurdo e surreal, considere que educar é muito mais complexo que alimentar e veja para onde estamos indo.

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

Comentários