A solução para a crise financeira das universidades passa pela tecnologia

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A crise financeira nas universidades públicas brasileiras tem feito manchetes. Segundo este artigo da Gazeta do Povo, nas federais “Não há recursos assegurados para cobrir todas as despesas até o fim do ano.” Pesquisas importantes também correm risco de interrupção. Nas estaduais, a situação é ainda pior; a UERJ fechada é apenas o exemplo mais flagrante. Segundo a secretária-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, desde 2014, porém, o gasto federal com a educação superior só cresce e superou o investimento no nível básico, chegando a 57% do orçamento em 2017”. Deve-se destacar que, a se manterem os custos atuais, o fim da gratuidade universal nas universidades, ainda que necessário, pouco funcionaria como solução para a crise.

O que fazer então? Em seu livro The Libertarian Mind, David Boaz, dá a dica. Ao falar dos custos das universidades americanas, cita a enorme oferta de cursos de nível universitário oferecidos online por universidades de elite e professores renomados. E faz uma sugestão “revolucionária”: Boaz propõe que faculdades e/ou empresas privadas desenvolvam testes que meçam o conhecimento teórico correspondente ao de alguém que tenha concluído uma graduação. Assim, candidatos a um emprego, ao invés de mencionar sua graduação no currículo, trariam o resultado de seu desempenho em um desses exames. E conclui: se assim for feito, precisaríamos manter esse sistema universitário que custa 500 bilhões de dólares?

A resposta obviamente é não. Da mesma maneira que nós brasileiros também não deveríamos gastar tanto com ensino superior.  A tecnologia educacional existente é extremamente subutilizada por nós. Disciplinas teóricas, por exemplo, deveriam ser oferecidos apenas online, reduzindo drasticamente os gastos envolvidos na manutenção de espaços físicos desnecessários. Nada justifica  juntar alunos em salas de aulas reais apenas para debater, quando isto pode ser feito virtualmente. Cursos de Ciências Humanas deveriam investir em estruturas descentralizadas de suporte para pesquisas de campo e em estágios em que o profissional deverá atuar: escolas, museus, escritórios de advocacia, etc. Cursos relacionados às artes, da mesma maneira, deveriam oferecer estruturas mínimas on site, e investir em parcerias com teatros, galerias, orquestras, etc. Cursos de Exatas e Biológicas deveriam limitar sua estrutura física para atividades práticas como laboratórios, consultórios, oficinas, etc. que, por sua vez, estabeleceriam parcerias com hospitais e indústrias para estágios e pesquisa. 

Podemos ir além no que se refere à graduação. As universidades deveriam ter autonomia para exigir (ou não) seu próprio exame de entrada, ou adotar um exame externo. Cada uma teria um currículo mínimo e matérias opcionais complementares para escolha do aluno. Este teria a opção de obter o conteúdo de qualquer disciplina fora do currículo mínimo através de cursos online ou presenciais em qualquer universidade no Brasil ou fora. Isto faria com que houvesse uma real competição entre universidades públicas e privadas. Ao final, como sugerido por Boaz, os alunos se submeteriam a um ou mais exames elaborados por uma empresa privada ou pela própria universidade. Empresas diferentes produziriam exames de grau de exigência variados, assim reconhecidos pelo mercado.

Com a redução de gastos públicos, boa governança e o fim da gratuidade universal, alunos de baixa renda poderiam ter acesso a crédito barato ou bolsas de estudo. Além disso, as universidades poderiam se dedicar mais à pós-graduação e à produção e divulgação de conhecimento avançado e relevante para a sociedade. Claro que também haveria diminuição dos gastos com pessoal. No entanto, neste cenário, haveria cada vez mais demanda por especialistas em desenvolvimento de exames e de currículos, pesquisadores, intermediários entre universidades e empresas, especialistas em e-learning, tradutores de currículos online, etc. Sem falar que muitos novos cursos seriam criados para oferecer disciplinas isoladas para alunos de graduação. Professores e funcionários que perdessem sua função pública não teriam dificuldade de se recolocar nesse novo mercado. Por outro lado, burocratas do sistema educacional, sem qualquer utilidade, teriam a chance de buscar algo produtivo para si.

Sim, o caminho é árduo. Há que se mudar leis, quebrar o monopólio do MEC, domar a sanha dos sindicatos e contrariar interesses e privilégios. O começo é mostrar que há alternativas para que, imbuídos desta certeza, consigamos colocar em prática o conselho de Milton Friedman:  fazer com que as pessoas erradas, os políticos,  tomem as decisões corretas. Sob pena de tornarem-se obsoletos como a nossa educação.

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