A Ditadura da Democracia na Educação Estatal

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Uma pesquisa sobre o que os alunos esperam da escola foi feita pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Dela participaram 43,6 mil alunos da rede, entre 8 e 18 anos de idades (10% do total). O objetivo é informar aqueles que criarão o currículo das escolas municipais de São Paulo, de modo a incluir no seu design a preferências dos alunos.

Eis um pouco do que os alunos disseram:

Importante olhar o lado avesso de algumas dessas respostas:

– 41% não aprendem melhor quando trabalham em grupo nas aulas

– 47% não aprendem melhor na sala de aula. Na verdade, 43% afirmam aprender melhor fora dela

Se o currículo for baseado nas preferências da maioria, ele terá mais conteúdos trabalhados em atividades de grupo na sala de aula. Como ficará o aprendizado dos alunos cujas percentagens destaquei acima? E os 24% que aprendem melhor fazendo atividades individuais? Por que esses alunos não merecem ter suas preferências respeitadas e atendidas? Será que seus pais pagam menos impostos do que os pais dos alunos cujas preferências são atendidas?

O problema desta pesquisa é que ela parte da premissa de que é não apenas possível, como também desejável, construir um currículo básico para todos os alunos do município. A pesquisa não tem como objetivo embasar a criação de currículos os mais diversos possíveis de modo a atender a demandas variadas da melhor maneira possível. Ainda que a intenção explicitada seja a de incluir, claramente, isto não vai acontecer. Não há inclusão possível quando o que se busca é a voz da maioria e que esta se sobreponha “democraticamente” à diversidade. Como acontece nos sistemas democráticos em que se elege um padrão, as vozes das minorias — ainda que estas não sejam tão insignificantes assim — simplesmente são caladas.

Anna Penido, do Instituto Inspirare, afirmou com precisão, “Quando a gente fala de currículo, estamos falando sobre ‘o que’ e sobre o ‘como’. O currículo é as duas coisas, principalmente quando fala de desenvolvimento integral do aluno”. Sendo assim, se buscamos o desenvolvimento integral do aluno, por que não permitir que provedores educacionais diferentes atendam a demandas diferentes com currículos diferentes tanto no ‘que’ quanto no ‘como’? Por que o Estado impõe o ‘que’ e o ‘como’, baseado em pesquisas que atendem a uma maioria em detrimento das minorias? Mais especificamente, por que quem prefere aprender fora da sala de aula não pode empreender seus estudos apenas ou principalmente desta maneira? Por que quem aprende melhor via internet não tem o direito de dedicar mais de 50% do seu tempo de estudo via elearning? Por que UMA escola e não várias? Por que pensar Educação como sinônimo de escolarização?

Além de excludente em termos de desenvolvimento humano, esta imposição da maioria sobre a minoria é socialmente e economicamente burra, pois emprega recursos de forma inadequada e desperdiça talentos. Pensemos apenas nos 15% dos alunos que aprendem melhor fazendo projetos para a comunidade. Por que não utilizamos este potencial disponível de maneira profissional? Por que não disponibilizar recursos — através de créditos fiscais para empresas por exemplo — e profissionais para direcionar a educação esses alunos?

Enquanto não tivermos um mercado educacional diverso na sua oferta curricular, tanto no ‘que’ quanto no ‘como’, nossa educação não será realmente inclusiva. Até lá, veremos os especialistas se surpreenderem com a explosão de conflitos ideológicos, com as reações justas de movimentos como o Escola Sem Partido ou, ainda mais grave, com a perda educacional como um todo. Enquanto jovens se virem alijados do direito de buscar uma educação de acordo com seus valores/preferências e a educação disponível lhes parecer irrelevante ou inadequada, muitos simplesmente abandonarão a escola. Ao deixar de atingir seu potencial, perdem eles, perdem suas famílias, perde o país.

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