Justiceiros Sociais x Matemática

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Como se já não bastassem os caminhões que, assim como revólveres e rifles malvados, assassinam pessoas, os justiceiros sociais agora resolveram que a matemática cria injustiças sociais. Foi lançado um curso online chamado “Teaching Social Justice through Secondary Mathematics” (Ensinando Justiça Social Através da Matemática do Secundário) oferecido através da EdX, empresa que provê cursos online gratuitos de universidades extremamente prestigiosas, como Harvard, MIT, e Columbia. Aparentemente, o curso se propõe a ensinar professores de matemática a planejar aulas — de matemática, obviamente — que incorporem justiça social para, assim, conscientizar os alunos. 

Neste curso, um dos cinco temas principais da ‘matemática interdisciplinar’ é a ‘Ética da matemática’ (???), que se refere à noção de que a matemática é frequentemente usada como arma de opressão. Não o tipo de opressão que eu sentia quando adolescente, dada a  minha dificuldade de raciocínio e meu maior interesse por história e literatura, mas a opressão social. De acordo com reason.com, para os criadores do curso, a ‘Ética matemática’ reconhece que, ao longo de séculos, a matemática tem sido usada como uma ferramenta desumanizadora. (Que o diga Leonardo da Vinci…) Mais: para eles, fórmulas matemáticas diferenciam entre a classificação de uma guerra ou genocídio e foram usadas para enganar povos indígenas, levando-os a perder suas terras e propriedades. E o mais absurdo: pavimentando o caminho para justificar “cientificamente” qualquer nonsense, alegam que um dos problemas da “matemática ocidental” é que ela exige o raciocínio formalizado para provar algo. Ao mesmo tempo em que criticam o ensino da tal “matemática ocidental”, atribuem a incapacidade de se defender dos povos indígenas ao fato de eles supostamente não entenderem essa forma de pensar.

À parte a evidente contradição acima mencionada e o racismo de quem insinua que povos “não ocidentais” são menos capazes de raciocinar logicamente, resta a conclusão de que se tal curso é oferecido, deve haver demanda. E, se existem professores interessados neste tipo de “qualificação”, é porque existem escolas que valorizam esse “saber” e que estarão dispostas a contratá-los. Até aí, perfeito: existe a opção de fazer ou não o curso, e a opção de contratar ou não o professor “capacitado”. Que o mercado regule. O problema se dá no final da cadeia de consumo: o consumidor final, o aluno e sua família. Têm eles real opção de escolha quanto ao ensino de matemática fornecido quando é o Estado que, em última instância, define que práticas pedagógicas devem ser valorizadas e adotadas nas escolas? Alguém duvida que em escolas estatais, sobre as quais as famílias não têm qualquer influência, são impostas bobagens semelhantes como as difundidas por esse curso?

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