Escola em tempo integral pra quê? — quando mais tempo na escola significa menos tempo aprendendo

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Uma dos novidades que a reforma do Ensino Médio recém aprovada no Basil traz é uma política de fomento de escolas em tempo integral. Além do custo — está previsto um investimento do Governo Federal de R$ 1,5 bilhão até 2018 — resta saber a quem serve essa medida. Aos burocratas da Educação? Aos sindicatos dos professores e funcionários públicos? Aos políticos que negociam favores com sindicalistas? Sim, muito provavelmente. Certamente não aos estudantes.

Muitas pessoas acham que escola é sinônimo de educação, mas, na verdade, a escola é meio e não fim; o fim é a educação. Mais: escola é UM meio entre muitos e, na minha opinião, está longe de ser o melhor. Por que limitar as possibilidades de educação de jovens a esse único modelo? O adolescente já desperdiça metade do dia na escola, na melhor das hipóteses, tentando aprender coisas que provavelmente não lhe interessam, que pouco lhe servirão, e de uma maneira que não lhe favorece. Achar que aumentar a quantidade de horas que se passa desperdiçando tempo, energia e recursos públicos representa um avanço na educação é um contrassenso.  E, francamente, diante da realidade que se vê, frequentemente, ficar mais tempo na escola seria pior do que desperdício; seria prejudicial mesmo à Educação desses alunos. Infelizmente, compartilho com Olavo de Carvalho a visão de que no lugar de educar, o que a escola tem feito de uma maneira geral é forjar e impor padrões de conduta adequados aos valores políticos do momento, adestrar massas de eleitores e militantes, servir como rede auxiliar da distribuição de comida e assistência médica e fomentar um mercado para o comércio de drogas.

Alguns argumentarão que o tempo adicional na escola não necessariamente seria um desperdício — ou um mal, como aventei acima. Dizem eles que se o Governo investisse mais, laboratórios, quadras de esportes e oficinas de arte, por exemplo, poderiam ser oferecidos com qualidade nas escolas. Vou deixar para outro artigo a discussão sobre o já gigantesco gasto estatal que o Brasil tem com Educação. Por hora, digo apenas que, se a fortuna ora investida estivesse sendo bem utilizada, não haveria tantos analfabetos funcionais, não faltaria mão de obra qualificada, o país não teria resultados em exames internacionais tão inferiores aos de países com investimentos quantitativamente semelhantes, e a produção acadêmico-científica nacional não seria tão pífia.

Na verdade, gastamos muito e gastamos mal. Há maneiras muito mais inteligentes de investir em Educação. Ao invés de turno integral, por que não dar a esses estudantes a opção de trabalhar e aprender na prática algo que seja do seu interesse? Através de incentivos fiscais e não de imposição, como acontece com menores e jovens aprendizes, o Estado poderia estimular empresas, como escolas, hortas comunitárias, galerias, academias esportivas, laboratórios, etc. a “adotar” um ou mais estudantes e ensinar-lhes um pouco de seu trabalho. Profissionais liberais, comerciantes, agricultores, empreendedores em geral poderiam também participar, sendo desonerados pelo Estado. Empresas poderiam intermediar esses acordos, direcionando as partes interessadas. Quem regularia essas relações? O mercado, ou seja, as partes envolvidas e as agências privadas que seriam criadas para esse fim. Alunos comprometidos, responsáveis e produtivos — independentemente de sua situação financeira (ou “raça” ou qualquer tipo de cota) — seriam recompensados com mais oportunidades dentro de uma rede de empresas. Liberdade e responsabilidade como parte da formação de cada um.

Os jovens não precisam de mais tempo nas escolas. Precisam de mais tempo em ambientes realmente educacionais, onde se aprenda e se pratique conteúdos significativos para eles e para a sociedade que banca sua educação.

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

Comentários